Experiências arrebatadoras, começos, fins, liberdade e espelhos.

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A Viúva Partida.

É cruel, Bárbara. É duro como um “não” após muita expectativa. É doloroso tal como uma partida no aeroporto. E eu já passei por muitas dessas despedidas. Vemos, por vezes, a vida tomar ramificações que não queríamos e temos que enterrar, não nossos mortos, mas os nossos vivos. E vivos falam, esperneiam, pedem pra ficar. Vivos questionam, não aceitam nossas decisões. Vivos pensam. Vivos sentem. Vivos arranham o caixão por dentro. Você derrete ao ouvir o ranger, o arrastar de unhas, o soluço acompanhado de excrementos de choro de verdade. A dor de ser viúvo não deveria existir. Nossas relações deveriam ser eternas enquanto durassem, como diz aquela famosa frase do poeta que não sabia sobre o que escrevia. Partir. Partir é dividir. É deixar alguém. Nenhuma relação deveria acabar antes da hora. A vida tem sido crua demais. E viúva. Quando me parto, me recolho até que novo coração cresça no peito. Quer dizer, amanhã, domingo, de manhã. Em mim, a arte é a doença. E só amanhã será a cura. A arte, hoje, é a ruptura. A arte é o momento exato do desafeto, da incerteza, da ruína, capturado e condensado em meia página, feito um big-bang. Depois do BOOM acaba a partida. Mais uma partida.

Agora, o pequeno mindinho de amor que eu sinto por você me faz questionar qual foi a última vez que eu fiz sexo amando a pessoa. Foi lá pra 2014, eu acho.

O que te faz chorar? 

Às vezes a gente chora mesmo. Eu, quase sempre, por saudade ou felicidade. Ultimamente tem sido o cansaço. E um pouco de saudade. Aquela regrinha de não estudar no domingo se foi há muito tempo. Pelo menos parece que está acabando. Queria voltar a ler literatura. E voltar a escrever. E voltar a amar alguém. E que fosse recíproco. E que eu não tivesse que me desculpar e me explicar o tempo todo. Queria muita coisa. Queria descansar, principalmente. Queria conseguir aproveitar isso bem. Queria não me sentir sozinho. Isso cansa, em algum momento. A vida vai bem. O coração vai atípico.

Sempre estou

Meu primeiro beijo foi com a Priscila, mas eu não gostava dela: eu gostava da Viviane. Depois eu estava com a Jessica, mas gostava da Rayzza. Depois eu estava com a Raysa, mas não gostava de ninguém. Depois foi a Sarah. Raysa de novo. Guillermina. Gostava dela. Da Cris eu gostava também, e não pensava em ninguém. Depois outra e outra e eu pensava na Cris. E apareceu outra e eu pensava na Raysa. Depois Mariana, e apagou tudo o que tinha passado antes e apagaria tudo o que viesse depois. Parece que a nostalgia me acompanhou desde o primeiro dia. Agora tem uma menina aí. Sempre tem. Mas eu estou pensando na anterior. Sempre estou.